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SOBRE PALAVRAS COM ASAS ou O AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA. 

“As pessoas hoje tem um pouco de vergonha da ternura”, diria o poeta Thiago de Mello. E é sobre amor, sobre ternura, sobre escolha e sobre tempo que falarei hoje.

Mas como começar? O que escolher para falar sobre escolhas?

Escrevo essas linhas numa nova tentativa, dentre tantas já deletadas.

 

Como é difícil escolher.

 

Como é difícil falar sobre isso.

 

Poderia começar falando das tantas partilhas. Das marmitas e sonhos divididos. Do poema bradado pelo estudante de Biológicas no meio de uma calorada de medicina. Dos dreads. Das camisetas surradas e escritas com os dias da semana. Da limonada que ele sempre fez com os limões. Poderia dizer que ele me ensinou a gostar de brega. Que degustamos juntos muitos poemas. Poderia contar que gargalhamos juntos mais de milhares de vezes. Que choramos muitas vezes juntos também. Que somos muito, muito chorões. Que lambemos as feridas um do outro. Que nos buscamos nos melhores e piores momentos. Que ganhamos, que perdemos. Que fizemos e fazemos MOVIMENTO. Que abrimos uma escola. Que foi ele quem diagnosticou minha gravidez e que foi para ele que eu liguei assustada, suspeitando que ele poderia estar certo. Que ele foi um dos irmãos que a vida me presenteou. Essa família que a gente encontra, que esbarra na gente e que há outrxs aqui agora ouvindo isso. Porque tem muita, muita coisa. Porque já faz muito, muito tempo. E o tempo conta no amor.

 

Mas o tempo não é linear. Tampouco cronológico. O tempo tem suas maestrias. E vez por outra surgem pessoas que nos capturam. Cativam. Chegam chegando. Chegam para ficar. Gasguita, decidida, forte, chata e linda. E muito, muito tagarela. Aliás, compomos as duas um duelo de titãs. Eu não faço a menor ideia do porquê não ter conhecido ela antes. Sinto-me ludibriada pelo tempo, pelo acaso. Mas o próprio tempo cuidou de resolver tudo e nos colocar numa jornada próxima e intensa.

 

Mas eu não sei como escrever sobre isso.

 

Então poderia contar que gostamos de política. Que engravidamos, gestamos e parimos praticamente juntas (e que se combinássemos não daria tão certo!)

 

Poderia contar os inúmeros capítulos do PUERPÉRIO. Que sobrevivemos a ele JUNTAS ao lado de uma outra mulher incrível e tão chata quanto nós duas. Poderia contar das tantas descobertas desse último ano que foi tão avassalador para todxs nós. Que eu tive a honra de sugerir que chamássemos esse amor materializado de Olga. Que montamos uma brigada revolucionária para as próximas décadas que atendem pelos nomes Olga (#jardimdeOlga), Antônio (#nossoAntônio) e Ana (sem hashtag), indubitavelmente as nossas melhores obras.

 

Poderia falar de Olinda, de Recife, de São Paulo, de Nazaré da Mata, de Petrolina, de Garanhuns, de Aracaju, de toda a Bahia, de Caruaru, de Carneiros.

 

Poderia falar do Cais. Poderia falar de Havana.

 

Mas nada disso explicaria.

 

Amor, ternura, tempo e escolha são inexplicáveis.

 

Palavras com conceitos nebulosos, mas tão cheia de sentidos. Tão FAZEDORAS de sentidos.

 

Luc Ferry, um filósofo francês fala que:

 

“Precisamos sair do egocentrismo. Precisamos dos outros para nos compreender a nós mesmos, precisamos de sua liberdade e, se possível, de sua felicidade para realizar nossa própria vida.”

 

Ele diz ainda que:

 

“Se conhecer e amar são uma só coisa, então o que acima de tudo dá sentido a nossas vidas, e ao mesmo tempo orientação e significado é exatamente o ideal de pensamento alargado.”

 

“Alargar a visão, aprender a amar a singularidade dos seres assim como a das obras e às vezes, quando esse amor é intenso, viver a supressão do tempo que sua presença nos dá.”

 

Seriam os tais “momentos de eternidade” como que um instante no qual o temor da morte finalmente não significa mais nada para nós.”

 

Eu sou testemunha desse amor. Dessa ternura. Dessa escolha e desse tempo. Eu vi tudo, desde o começo. E talvez por isso esteja aqui na frente agora.

 

Para dizer que é possível sim escolher. Que nesse mundo líquido e amargo há ainda PESSOAS. Pessoas que escolhem diferente. Que pensam e sentem diferente. Pessoas que respondem ao ódio com ainda mais amor. Que optam pela delicadeza. Que apostam no futuro criando crias.

 

A mulher baiana-espanhola sanguínea e intensa. O homem com nome (e alma) de poeta e asas para voar.

 

Eu não conseguiria falar. Porque há momentos que nenhuma palavra alcança.

 

E nem toda a arte e a filosofia do mundo conseguiriam.

Nenhuma canção, nenhuma poesia estaria à altura do casamento de um POETA. E de uma mulher REVOLUCIONÁRIA. Que constroem e desconstroem o cotidiano com a ternura e a escolha diária que só o amor, um GRANDIOSO AMOR proporciona.

 

Vamos celebrar! Somos instantes. Somos as nossas escolhas. As famílias são escolhas. E nós que estamos aqui somos família e nos escolhemos. Vocês nos escolheram. Vocês se escolheram.

 

O amor está aqui. E é coletivo. Não há nada mais revolucionário que AMAR.

 

 

E, mais uma vez, senhoras e senhores: O AMOR VENCEU.

 

TODA A FELICIDADE DO MUNDO PARA VOCÊS!

 

 

 

 

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