Geral

Poeira de Estrelas

  
Ela se foi no dia do riso.Não acaso. Não à toa.

Não iria antes, sem que estivéssemos menos desfamiliarizados com a ideia da partida (porque acostumar seria muito).

Sabia dos tempos de cada um de nós. Das distâncias construídas, constatadas.

Não iria depois, marcando natalícios de sobrinhos queridos.

Tampouco da irmã-filha. Da filha-irmã.

Seria dor demais, para além da despedida inevitável. Ela sabia.

Sete de outubro seria dia melhor de ir.

Nem antes, nem depois, pois não era dada às dores. Pelos menos as reparáveis, denunciáveis. 

Havia algo de tão nobre nisso.

Num mundo dos resmungos, dissabores e intolerâncias, ela dava de ombros: não adianta. 

É melhor sorrir.

O sorriso era sua semântica. Sua essência. Sua estética. Sua aposta. Seu melhor argumento. 

Aqueles sorrisos de boca, de olhos. Sorrisos de alma. 

De alma que doa a dádiva, sem buscas, sem cálculo. Sem preço. Sem pressa.

O padre falou em perdão dos pecados dela.

Que pecados? – pensamos.

A mulher com estrela no nome. 

A mulher que levou seu sorriso no dia do sorriso.

Deixou-nos lágrimas, lembranças, saudade. E riso. 

Porque, de tão vasto, o riso vai e fica em nós.

Vai em paz, tia. A lua hoje, também risonha, anuncia que hoje tem festa, música e feijoada celestes.

E Maria, Raimundo e Ceci, braços abertos, à espera de Sônia Stela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s