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MEU RELATO DE PARTO: A CHEGADA DE ANTÔNIO

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Difícil reviver uma experiência de tamanha magnitude e colocá-la depois em palavras. Mas o mundo e principalmente as mulheres merecem esse meu exercício. O dia 21 de outubro de 2015, às 9:43 da manhã mudou minha vida pra sempre. Parir é político sim, é ativismo sim! Para mudar esse mundo louco e pelo avesso, é preciso começarmos pela forma de nascer, que faz sim toda a diferença pro meu filho, para mim e para o planeta! Preciso mostrar que é possível (e lindo e necessário!) para as outras mulheres, para as minhas amigas, as minhas parentes, as minhas alunas. Para as minhas conhecidas. Para as minhas desconhecidas.Para as pessoas que se importam comigo. Para as pessoas que se importam com as pessoas. E a forma pela qual outras pessoas nascem tb me importa, afinal, partilhamos do mesmo planeta e mais hora, menos hora nos esbarraremos por aí…com o acúmulo de experiência boa ou ruim que conseguirmos! E não me refiro à via de parto, mas a forma como esse nascer acontecerá! Mil vezes uma cesárea bem indicada que um parto normal inadequado! Um parto humanizado empodera a mulher SIM. E não é moda. É RESPEITO. E não é um evento biomédico, é um evento fisiológico milenar, mais antigo que a própria medicina, muito embora a presença de médicxs que entendam essa complexidade é bastante bem vinda. É um momento de provação existencial SIM. Torna-nos mais fortes, mais conscientes da força e poder extraordinário do nosso corpo. Do sagrado feminino que mora em nós e que é a todo momento sabotado pela ignorância e por tantos interesses escusos! Eu pari na água, chamando minhas divindades, com meu companheiro e minha doula do lado e toda uma equipe linda, competente e respeitosa junto de mim. Não precisei, felizmente, nem de anestesia nem de outras intervenções médicas maiores, que se necessárias estariam a minha mão. Meu corpo me bastou. Eu sei parir! Eu tinha o toque doce, a presença de corpo, mente e espírito e o amor de meu homem Anderson Braz. Tive as mãos carinhosas e a energia-lavanda de minha doula Maiana Gomes, conosco desde antes, jogando cor e sabor na minha maternagem. Tive a serenidade amorosa da minha amiga Lucia Röhr, aparição azul e iluminada, tb na minha hora de escuridão. Foi obstetra, “doula”, amiga. Foi mulher. Grandiosa, como sempre. Tive a perspicácia e segurança do Reginaldo Freire, que não deixou que eu me perdesse na racionalidade potencialmente adoecedora da medicina. Tranquilizou-me, foi o primeiro a fitar as barroquinhas do sorriso de Antônio e deixou meu filho nascer em paz. Tive a sabedoria e cumplicidade do meu amigo querido Thiago Cesar Parente Saraiva que me mostrou na prática o que tanto acredito e ensino de medicina desde o começo dessa nossa gestação. E na hora mais difícil, ele me olhou fundo nos olhos e me mostrou a força e luz que eu nem sabia que tinha: mostrou os cabelos do meu filho ainda dentro de mim e ativou minhas entranhas com a força de suas palavras. Tive Camilla Rocha , do Estúdio Materne, registrando de forma discreta e precisa todas essas horas sagradas. Tive Suzana, anestesista, a minha disposição caso fosse necessário. E tive cheiro de lavanda, meia luz, bola, chuveiro, água morna, música boa e profunda. Foi hospitalar, mas eu estava em casa. Com essas pessoas-casa. Doeu. Muito. Muito mais do que eu imaginava. Urrei como um bicho, o bicho-gente que somos. E cada dor era menos uma, menos uma pro meu filho chegar. Meu passarinho nasceu livre, na hora que desejou e que se sentiu pronto. Estava sorrindo, tranquilo e confortável, cercado de respeito e amor, ao som da diva Maria Bethania cantando Fé em Antônio. Um parto hands-off, aos moldes do que preconiza Frèderic LeBoyer: nasceu sereno, sorrindo! Todo mundo deveria ter esse direito! Independente da via de parto, repito. Sou outra mulher, alguém muito melhor, depois dessa experiência que foi a mais potente da minha vida! Meu parto não estava nas minhas expectativas…foi muito além!! Faria tudo de novo. Escolheria as mesmas pessoas. E nem todas as palavras seriam suficientes para agradecer ao Universo, as minhas Divindades e a essas pessoas por estarem conosco nesse momento de luz. Para mudarmos o mundo é preciso acordar. Renasçamos todxs. 🙏🏻 #renascimentodoparto #nascersorrindo #parirépolítico #feminismo

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