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As (não)cores do Estelita (sobre o 17 de junho)

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Cheguei em casa há pouco. TV desligada. Cabeça estourando. Não há o que torcer. Nem para quem.

Não sei que Brasil é esse que ouço nesses gritos. Há outros gritos no ouvido, anteriores, gritados o dia inteiro. Por uma gente linda e brava que não precisa de verde e amarelo na cara nem na roupa para ser brasileira. Os filhos que não fugiram a luta. Uma moçada que leva sério os versos do hino. Que coça os olhos mas não pára de enxergar.

Quase cem chamadas não atendidas nos celulares. Não consegui atender. Muito ocupada ou muito dolorida para fazê-lo. As feridas, limpei e cuidei das que vi. De quem pude. Mas os arranhões fundos que nos atingem do lado dentro do corpo, esses são mais difíceis de abordar.

Hoje me resta a vergonha de morar numa cidade sem lei. Num estado mandado pelos mesmos coronéis de sempre. Seus filhos e netos que aprenderam a tosca lição de estalar o chicote do alpendre de suas casas grandes. Com dirigentes, justiça e polícia sem um pingo de vergonha na cara. Descaradamente financiados pelos senhores desse neo-engenho. E a serviço para eles. Porcos covardes que aproveitam a anestesia desportiva e de mídia que eles mesmos inventam para afrontar mortalmente a democracia.

Não há verde. Nem amarelo. Está tudo cinza e melado de sangue em Recife.

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