Geral

Navalha

Quando a verdade chegou

Eu não quis acreditar

Achei que ela vinha diferente

Mais amarga

Um gole de whisky sem gelo

 

A verdade chegou

e me gelou as carnes

Os dedos,

os mamilos

e os sentidos

imagem que insistia em existir

ainda que tarde

 

A verdade chegou

e me tirou o chão

Me disse que estava tudo errado

Que o certo não é certo

Que o lugar não é o lugar

 

A verdade me tirou as roupas

Nua em pelo,

tremi de frio

No ventre da noite

Gemi em silêncio

Rasguei o peito

Desonrando minhas origens

 

A verdade me arrancou

Lágrimas que não quis chorar

Raiva que não quis sentir

Vergonha que não sei expressar

 

A verdade é bate-estaca

que não deixa dormir

outono que tira a paz

navalha gelada que corta o corpo

que ecoa no escuro

 

A verdade é o som agudo

que ensurdece

luz trêmula que enlouquece

virus ativo que o sangue padece

Suspiro escarlate que derrete

Toda possibilidade de perdão

 

A verdade traz

insônia, dor e solidão

faz o amargor da vida

concentrar numa única mordida

língua arde com sabor acre da verdade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s