Geral

Sobre os saberes do tempo


E quem é que sabe do tempo?
Esse bicho indomável
Que te faz definhar, maltrata
Com pergunta indecifrável
Te deixa sangrar, desidrata
É tortura inquestionável
Mas no fim seca a ferida, te trata
Tão simples. Inacreditável.

Triste de quem diz que entende
Esse fatalmente se engana
Se sente no controle, proclama
Que tudo sabe do tempo,
Que controlou sua chama,
Que fatiou seus pedaços,
Que previu os tormentos,
Que rasgou os retratos,
Minimiza até seus sentimentos
Por subestimá-los de fato

Fico a cada vil momento
Tentando entender
Tentando explicar
Sem me surpreender
Girar o mundo, qualquer lugar
Que me faça convencer
que consigo controlar
que já sei me obedecer
não me façam gargalhar
ninguém venha me dizer
que quem diz estar tão forte,
que quem diz estar de pé
talvez tenha dor de morte
talvez haja de ter fé
argumento, oração, mandinga ou sorte

Pra tentar finalizar
Volto mesmo para o tempo
Ilusão, filosofia
É passageiro, um lamento,
Paradigma, tesouro,
Desacato virulento
Tocam os sinos, correm os anos
Mesmo à nossa revelia
Grande dádiva seguir estrada
Sempre em boa companhia.

Imagem: Dali: Les Montres Molles: 1968.

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